Frente Parlamentar debate o diagnóstico precoce de crianças com deficiência

Em 17/05/2017
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O diagnóstico precoce e o tratamento médico adequado de crianças com deficiência foram discutidos na Alepe, nessa quarta, em reunião promovida pela Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência. O encontro teve a participação de profissionais da área de saúde e de representantes da OAB Pernambuco, do Ministério Público Estadual e da Associação de Assistência à Criança Deficiente, AACD. Teve também a presença de mães, como a procuradora da Assembleia, Juliana Salazar. Ela atribui o bom desenvolvimento da filha, que tem síndrome de down, ao apoio médico no tempo devido. “Ela tem o desenvolvimento compatível com o de uma criança de dois anos. Ela está na escola, ela anda, ela fala, mas porque ela teve profissionais capacitados e ela fez o tratamento de uma forma correta, multiprofissional, como está na diretriz do Ministério da Saúde.”

Assim como Juliana, a Coordenadora Geral da Frente, deputada Terezinha Nunes, do PSDB, ressaltou a importância da intervenção precoce nesses casos. “As pessoas com deficiência precisam ser diagnosticadas, de preferência, logo que nascem. Porque cada dia perdido é mais um atraso que ela vai ter. Quando você diagnostica mais cedo, você consegue tratar mais cedo. E muitas crianças até tem um desenvolvimento idêntico ao de uma criança normal.”

A capacitação de especialistas também foi pauta da reunião. A procuradora da Alepe, Juliene Viana, defendeu que conselhos regionais de Medicina, Psicologia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional divulguem listas de profissionais capacitados para atender pessoas com Transtorno do Espectro Austista, conforme lei estadual. “O que existe é que, às vezes, as pessoas fazem cursos apenas de final de semana ou um curso de curto tempo e já se diz capacitado ou habilitado pra determinadas técnicas a serem utilizadas com as pessoas com o transtorno. Mas na verdade para ser capacitados, precisariam de um curso mais completo, mais duradouro.”

Em resposta a Juliene, a representante do Conselho Regional de Fonoaudiologia, Bianca Arruda, afirmou que o órgão já divulga duas listas: uma com os profissionais habilitados ao exercício da profissão; a outra, com especialistas. Mas, segundo Bianca, a lista determinada pela lei ainda é controversa.“Acontece que numa determinadade especialidade engloba uma série de questões de distúbrios e transtornos que podem afetar o desenvolvimento. E fica difícil, às vezes, para o Conselho direcionar a atuação do profissional, entende? Indicar o melhor profissional pra patologia.”

Sobre políticas de inclusão, a representante da Secretaria de Saúde da Prefeitura do Recife, Ana Sofia Costa, destacou o que vem sendo feito na capital. “A gente está fazendo uma capacitação grande com todas as equipes de saúde da família e as equipes NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) pra que esse diagnóstico precoce seja feito dentro da atenção básica, da atenção primária.”  

Segundo Ana Sofia, o projeto piloto está sendo desenvolvido em dez unidades públicas de saúde e, assim que finalizado, deve se ampliar para toda a rede da capital.